segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ÚLTIMO

Insólitas duas horas
Comparadas a um grão
O reflexo no espelho
ficou gravado


Gerou-me uma dúvida concreta
Há um modo de recordar tudo?
Suponho,que uma cama
cheirando a merda e urina
Seja o melhor lugar para recordar
Os vilões de branco
revelam sua identidade
E se desligam de seu alimento
Entregam um cheque sem fundos
Saem pela porta
na companhia da navalha


Quase todos são enganados
Acreditam em uma vida eterna
Ou em uma incrédula
salvação
Nem todos são estúpidos assim


Bem,eu creio
Ainda creio,que uma dose de vinho
seja a melhor libertação de todas


Os lencóis foram trocados
A metade da rua foi atravessada
Lá bem no meio da estrada,
uma estrela sangrava
Anorexia,era o seu nome
O trânsito a escondeu
e vestígios de sua agonia
ainda brilhavam


A ansiedade nestes minutos
é extremamente cruel
Tentativas de apressar
são sutis e assustadoras
Prolongar,só aumenta o terror.
Deveria,eu agradecer?
Seria inútil
implorar compaixão
Tantas vozes e faces diferentes
Febris,estrangeiras
E nenhuma neste berço

Sempre me disseram
És jovem demais
Que ridículo!
Parece cômico.

Jovem?
Os ossos escolhem idade?
Apodrecem e não avisam
Assim,como a carne
Somos todos,um bando de seres podres
Aguardando,a hora certa para feder
em algum terreno baldio.

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