sexta-feira, 16 de outubro de 2009

EVOLUÇÃO



Cultuo o ranger dos dentes
Embriagados no porão
Amistosos
Na companhia de ratos cadavéricos
As olheiras de tua face
Em sinfonia com as rugas da alma
Os espasmos viciosos
de teus membros mutilados
Com os jatos infindos
de teu sangue arterial
As pupilas saltadas
Desbravando o quarto
Soterrado pelo mofo
e o ar contaminado
Procriando com teu cheiro
insuportável
O odor da digestão pútrida
Cão sarnento
em ulcerações
Sabor do intestino podre
O feto gerado no hábitat fecal
Venero tua constante evolução
Nascido de um útero verminoso
E ao fim
Retorna ao lar
onde será alimento
de seus progenitores

UM VELHO SOM

Era áspero!
E congelado
O outono o tornava solitário


Era amargo!
E vil
A ferida o arranhara


Era seco
E estúpido
Um velho rosto o engolira


Era turvo
E abominável
O sangue o libertara


Era calado
E morto
A perdição lhe devorara

O Necrófilo

Deixe o silêncio no quarto
A sombria imagem turva da morte
Os passos surdinos na escada
O disparo cerebral.
Digitais encobertas
As clássicas luvas pretas

Portas trancadas.
Janelas quebradas.
Lençóis revirados.
O sangue derramado!

Nunca penetre seu inconsciente
A planta carnívora da paixão é arrogante e tépida
Deflora labirintos
Mascaradas na extensão do prazer

Portas arrombadas.
Vidros estilhaçados.
Lençóis manchados.
Coxas dilaceradas!

Um grito manchado no espelho,
vermelho berrando no reflexo.
Uma língua tão desfrutada
Tontura e pele rasgada
Noite,vazio e sexo!
O sêmen recebido.
Atraído!

As taças desenham o batom
E o vinho fervente e sonífero
Calou os ecos!

Os saltos jogados e quebrados.
O vestido tão vermelho,em frangalhos.
Aprisionando os golpes do infortúnio.

O travesseiro desenhando os miolos,
o manjar dos demônios
A face assustadora.
Cadavérica!
Derramava uma única lágrima paralisada

O calibre 38
Os intestinos expostos.
A saliva alimentada.
O algoz desesperado.
Trepando ao som de violinos.
Saboreando tripas violadas

Portas quebradas
Janelas assaltadas
Lençóis rasgados
As mãos ensaguentadas
A arma disparada!

O CRIME

Não há comunicação
Uma dúzia de fotografias tão facéis de se apagar
Espero na banheira com a navalha
Não há comunicação
O sarcasmo ainda ronda a esquina,
como a raposa dos seus dias.
Entre nós o fio que se rompe ao despertar.

Entre as coisas mortas na cabeceira
Toquei você
Entre a voz que gritava e o rosto do desespero
Abracei você
Entre as colinas e a queda derradeira
Matei você!

Não há canção.
O verso na travessia da morte
Não há canção
A pele queima no orgulho dos espinhos
Rompo minha verdade
Não há canção
Devolvo a crueldade
Não há canção
Entre nós um vazio,
e um desejo insano de me matar

Entre as coisas mortas na cabeceira
Toquei você
Entre a voz que gritava e o rosto do desespero
Abracei você
Entre as colinas e a queda derradeira
Matei você!

Teus erros e o silêncio da verdade.
O palco está armado,
e a loucura terminou

NEGAÇÃO

Meu sonífero prometeu ficar
Em uma poeira lacônica
Viu um jovem louco
cair nos braços de um penhasco

Incoerente vasculhava o deserto
Inconsciente inundava a pia
Inconsequente encarou o incerto

Seus pés já exaustos de peregrinação
Ou da glória do estrangeiro
Criavam bolhas e desconforto

Em frívolos gemidos
Erguia a taça da desforra
Cansaço e doença o executavam
Aniquilou o inconstante,

pulou em alguma nuvem seguiu cego
Adentrou vários reinos
E se retirou.

LAMA


Três milhas eu andei,até a frase se encerrar
Três chances eu desperdicei
Até alcançar você
Seguindo seu trem
Correndo pra bem longe
Acordando em uma ponte
Perdido nos próprios pesadelos
Sonhando com rosas mortas
jogadas pelo chão

Se um dia eu sumir pra bem longe
Se um dia eu quiserver através
Tente sempre me lembrar
A rima certa

Olhe pelo vidro
Olhe minha vida
Escorrendo como lama

E os dias são os mesmos
Não posso brilharcomo antes
Isso consome tudo